segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Wim Wenders, Die Himmel Über Berlin


Noite de muita chuva no Rio de Janeiro, nada mais a fazer senão escolher um filme para rever.Tendo em vista a revisão de texto e a pesquisa de signos que estou fazendo para a peça "A Morte do Anjos", escolhi " Asas do Desejo".

Esta talvez seja a maior e mais adorada obra do alemão Wim Wenders, um cineasta cuja obra é marcada por uma poesia sempre apaixonada pela mídia áudio-visual (o próprio cinema) e embalando personagens geralmente perdidos em paisagens esparsas. Ver Asas do Desejo (Der Himmel Über Berlim, Alemanha-França, 1987) quase 25 anos após o seu nascimento significa avisar os mais desligados que este filme não é uma imitação feita às pressas de Cidade dos Anjos (City of Angels, EUA, 1998), mas sim a rica fonte a partir da qual Hollywood extraiu este xaropinho que Meg Ryan e Nicolas Cage nos servem às colheradas.

Concentremos no original, uma abordagem profunda e hipnotizante sobre a solidão e a necessidade de encontrar alguém que nos faça inteiro, ou se preferirem, uma celebração da vida, muito embora quase todos os seus personagens pareçam estar imersos num estado terminal de melancolia durante todo o filme. Uma belíssima obra, sensível, profunda e que nos faz refletir profundamente sobre nossa condição humana.

 Desde a primeira cena somos levados a mergulhar nos pensamentos de diversas pessoas, o que inicialmente pode ser tedioso, mas que com o tempo se revela uma grande arma de reflexão do filme. Às vezes os pensamentos são tão densos que me vi pausando o filme pra pensar um pouco mais sobre o que tinha acabado de ver.

A fotografia é avassaladora e o jogo realizado entre o preto-e-branco e o colorido é um grande trunfo utilizado para dar dimensões diferentes à vida de um anjo – eterna, mas sem cor - e a dos seres humanos – finita e cheia de problemas, mas com sensações inegavelmente coloridas.

O amor, aqui é trabalhada de forma  sutil e intercalada com vários momentos dos anjos que acompanham os pensamentos das pessoas. Destacam-se os pensamentos de um senhor bem idoso chamado Homero, que todo o tempo desabafa a impossibilidade de contar suas histórias, já que agora todos preferem lê-las – homenagem clara ao Homero grego.

É também Homero que, dentro e fora da biblioteca onde se passam vários momentos do filme, faz reflexões acerca de Berlim, cidade onde se passa a história. A cidade, fortemente atingida por ter sido palco da Segunda Guerra, é mais um dos ricos temas desenvolvidos na película. Em algumas cenas, inclusive, são exibidas partes de documentários que retratam a guerra e a Berlim pós-guerra. Mais um elemento que torna o filme imperdível.

O amor impossível se torna apenas uma metáfora uma vez que, através da escolha feita pelo anjo entre a imortalidade e a humanidade, Wenders desenvolve a principal temática do filme: o conflito humano.

8 comentários:

  1. Magnífica postagem, Evandro!
    Adoro este filme: vi dezenas de vezes e , agora, que você me faz o lembrete, vou rever...
    Grata!
    Abraço

    ResponderExcluir
  2. Wim Wenders sempre explora o emocional, fazendo referências ótimas com o "pós-guerra", tanto Alemanha como EUA.
    E até hoje serve como influência pra qualquer tipo de abordagem em filme.. E não é à toa que Cidade dos Anjos soube retratar bem o seu ar sentimental; foi inspirado nas profundezas da mente de Wenders :D

    Asas do Desejo é um clássico e merece ser visto. Ficou ótima a postagem! Adoro seus posts de Cinema.

    Beijão :D

    ResponderExcluir
  3. Fotografia Avassaladora mesmo!
    Sublime como disseram em um dos comentários.
    Quero assistir!

    Sim voltei.
    Estou aqui!
    Bom dia!
    Boa Vida pra nós!

    ResponderExcluir
  4. Em que mundo estou? Desconheço esse filme, mas já está na minha lista... por essa e outras estou sempre aqui, embora nem sempre eu escreva.

    Abraço meu caro amigo!

    ResponderExcluir
  5. Evandro, relamente este filme é muito lindo .
    A fotografia e o tema são arrebatadores.

    ResponderExcluir
  6. Fala Evandro,
    Não vi esse filme ainda. Mas vou ver.
    Cara, não vou recorrer ao Google porque não é do meu jeito de fazer os comentários.
    Mas se não me falha a memória, o Wim Wenders foi quem fez um filmaço na década de 80 com a maravilhosa atriz Nasstasja Kinski, chamado Paris, Texas. Tenho esse filme em DVD e acho que vou assistir novamente. Creio que foi direção dele.
    Um grande abraço

    ResponderExcluir