sábado, 11 de dezembro de 2010

Gal Costa


"Sabe uma faca me rasgando,
um mundo se acabando, num sei,
Gal Costa cantora, Gal Costa a mulher,
a mulher terrível, a mulher linda,
a noiva, a morta, a viúva , a maravilha:
é muito difícil falar essas coisas,
eu não sei, a Gal Costa sempre me trata
com choques elétricos, e eu chego pra ver
ela e me arrebento por ela e me desarrumo
por ela, não sei, é sempre surpreendente,
eu nunca sei o que vai acontecer, e cada vez
é como a vida (sic) tivesse se partindo,
se começando, se acabando...
Gal Costa é muito maravilhosa "
                                                                                                     Tom  Zé





Eleita, com justiça, pela revista Time, como detentora de uma das dez vozes femininas mais belas do mundo, a baiana Gal Costa criou uma escola de seguidoras no Brasil, além de ter virado referência obrigatória como influência para cantoras mais jovens. Possivelmente a melhor cantora a ter brotado de terras brasileiras, título que só encontra em Elis Regina rival à altura, a Gal dos anos 2000 se distanciou de seu apelo das décadas de 70, quando reinava nas dunas de Ipanema (“as dunas de Gal”) e mesmo da década de 80, quando deu uma guinada comercial que produziu canções radiofônicas como “Chuva de Prata” e “Um Dia de Domingo”.
Trata-se aqui, porém, da Gal da década de 60, uma jovem cantora de Salvador que despontou como musa do movimento tropicalista. No final do década de 60, ela gravou dois discos homônimos, recheado de canções de seus parceiros de movimento, Caetano Veloso e Gilberto Gil.
Um deles, o que abre com “Objeto Não Identificado” (Caetano Veloso), é impecável. Com timbre ideal, Gal desfila por repertório inalterável, que abriga jovens compositores da época. Da primeira à última faixa, uma seqüência de belas canções, com direito a uma intervenção em língua inglesa, “Lost In The Paradise”. Além da faixa de abertura, Caetano presenteia Gal com a bela “Saudosismo”, em homenagem ao ídolo que os aproximou, João Gilberto, com referências às canções que João consagrou, e também com o estrondoso sucesso “Baby”, em versão definitiva e não superada até hoje, incluída no disco “Tropicália ou Panis Et Circenses”, além da já clássica “Divino, Maravilhoso”, parceria sua com Gil.
Gil participa ainda da regional “Sebastiana”, que Gal cantaria no show Phono 73, e de “Namorinho de Portão”, de Tom Zé.
Há ainda canções da dupla Roberto & Erasmo (“Se Você Pensa” e "Vou Recomeçar") e de Jorge Ben, “Que Pena”, em dueto com Caetano Veloso.
Disco essencial para quem aprecia boa música.

7 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Gostei da sua dica,
    o genero musical não é o meu favorito,
    mas, acabei
    sentindo vontade de escutar mais
    depois dessa postagem (:

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  3. Confesso que não sou fã, porém é merecida a escolha pela revista Time.

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  4. acho que Gal tem o mesmo "problema" que Elis, e um "problema" que a Bethania não tem: más escolhas no repertório.
    Fora isso, Gal é a voz mais linda do Brasil.
    André

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  5. Obrigado pelo seu comentário e por partilhar o seu bonito gosto musical!

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  6. Gal tem a voz de anjo, e o poder ideal para moldá-la de acordo com o que a emoção pede. Muito bom vê-la aqui!

    Belas palavras!

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  7. Bethânia gravou um disco inteiro com músicas de Roberto e Erasmo(apelação)depois grava zezé de camargo(suícidio)se isso for bom gosto...

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